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domingo, 8 de janeiro de 2017

P29BR 29ER GEOMETRY / Longas e baixas. O que mudou em termos de geometria nos últimos anos?

As mountain bikes não são mais as mesmas...e você precisa estar atento a isso.

Grande parte deste artigo estava "escondido" dentro de outro que o P29BR publicou no ano passado. Talvez alguns considerem que se trata de um assunto para "bicinerds", mas na realidade conhecer geometria em linhas gerais é fundamental para aqueles que encaram o esporte com mais seriedade e, principalmente, buscam desempenho e uma melhor experiência a bordo de sua mountain bike.

Antes de enveredar pelo tema propriamente dito, é importante reforçar alguns conceitos. Entre algumas das medidas mais importantes num quadro de bicicleta estão o head angle e o seat angle, em português, o ângulo de direção e o ângulo do tubo do selim. O primeiro é obtido a partir da projeção do eixo do tubo de direção em relação ao solo, já o segundo seria medido partindo da projeção do eixo do tubo do selim também em relação ao solo, entretanto muitas das bikes atuais possuem o tubo do selim curvado ou deslocado em relação ao movimento central, sendo assim, o mais adequado em qualquer análise seria considerar o ângulo efetivo do tubo do selim, ou seja, tomar como base o ponto médio do carrinho do canote ou do próprio selim e projetá-lo de modo que cruze o eixo do movimento central, assim a medida do ângulo formado pela intersecção dessa reta virtual com o solo é o valor que deveria ser idealmente adotado.


Por fim há um outro conceito que parece causar um pouco de confusão entre os leitores do P29BR. Quando mencionamos que um ângulo em uma determinada bike é relaxado, significa que ele tem um menor valor numérico, ou seja, caso por exemplo um ângulo de direção seja considerado relaxado, quer dizer que nessa bicicleta a suspensão dianteira irá trabalhar mais "deitada" em relação ao terreno, ao contrário, um ângulo mais elevado significaria que ela funcionaria mais de pé.

Em meados da década de 2000, quando apareceram as primeiras 29ers modernas, uma das principais queixas contra o emprego das rodas grandes, era uma suposta uma lentidão nas mudanças de direção. Nessa época, muito na contramão do caminho hoje trilhado pelas mais representativas marcas internacionais, esse problema foi solucionado pelos engenheiros de algumas das pioneiras (Niner, Intense e Felt, entre outras) com a adoção de um tubo de direção com angulação mais elevada, em torno dos 72 graus, além de mudanças no offset dos garfos (saiba mais em http://www.29er.com.br/2009/10/p29br-29er-test-garfo-de-carbono-niner.html). Antes disso o padrão da indústria para bikes de Cross Country era o tradicional 71°/73° (ângulo de direção/ângulo do tubo do selim).

Quando o P29BR teve o prazer de colaborar com o finado Fábio Yoshimoto no desenvolvimento da Saga, a primeira 29er produzida no Brasil, decidiu-se adotar os mesmos 72° como medida para o ângulo de direção no modelo então em fase de projeto. A curiosidade é que por limitações no processo produtivo, quase que artesanal, vários dos quadros que de fato saíram da linha de produção da marca, na realidade apresentavam um ângulo de direção ainda mais elevado, no caso elevado demais! Atualmente, tudo mudou e provavelmente se a "cult" 29er da Saga ainda estivesse sendo fabricada, certamente seu modelo 2017 teria mudado radicalmente em relação à bicicleta que ganhou admiradores ferrenhos a partir dos idos de 2009.


Em um movimento impulsionado primordialmente pela marca espanhola Mondraker, que surpreendeu o mercado com a concepção da sua "Forward Geometry", ou algo como "Geometria Adiantada", o mais atual padrão geométrico foi definido como "Long and Low", ou seja, hoje mesmo as bicicletas de XC, 29ers ou não, estão mais compridas no top tube, curtas nos chain stays, relaxadas no ângulo de direção (daí vem o "Low") e empinadas no ângulo do tubo do selim. O que ou quem causou mudanças tão significativas nos preceitos de uma boa geometria? Um dos catalisadores desse movimento foi a genial ideia da SRAM em produzir transmissões que dispensam o câmbio dianteiro, isso abriu um leque de boas possibilidades para os projetistas e hoje mesmo as bikes com transmissão de coroa dupla já foram beneficiadas pelos avanços construtivos decorrentes desse movimento. Vamos explicar.

Nos últimos anos o top tube efetivo (saiba mais em http://www.29er.com.br/2010/10/p29br-29er-doc-o-dilema-do-tamanho-do.html) vem se expandindo seguidamente nos modelos de mountain bikes das mais conceituadas marcas do mercado internacional, em contra partida as mesas montadas nesses mesmos modelos tem diminuído de comprimento, de forma que a medida conhecida como "handlebar reach", ou alcance tendo como base o guidão, pudesse continuar praticamente a mesma, sem grandes alterações de fit. Mesas mais curtas resultaram na adoção de guidões mais largos, muito acima dos 700mm, mesmo para o XC.

Além do top tube alongado, as mountain bikes mais modernas equipadas com rodas de 29 ou 27.5 polegadas, apresentam um ângulo de direção muito mais relaxado. Definindo de maneira bem clara, as suspensões dianteiras trabalham mais "deitadas" ou "baixas" e funcionam melhor. A característica que se via de forma mais usual apenas nas bikes de DH, já é padrão nos modelos de Enduro e Trail Bikes, migrando de maneria proporcional inclusive às bikes de XC, mais uma vez priorizando a pilotagem em condições mais técnicas, na mesma proporção que as pistas da Copa do Mundo de XCO foram ficando mais e mais difíceis. Bicicletas de Cross Country top de linha como a Scott Scale, a Trek Procaliber SL e a Cannondale F-Si, tem em comum hoje um antes impensável ângulo de direção na casa dos 69 graus (ou menos), sem que isso afete negativamente o desempenho dessas bikes, muito pelo contrário.

Seguindo a cadeia de alterações, com o top tube mais longo e a caixa de direção menos de pé, a distância entre eixos também cresceria, algo que seria benéfico em termos de estabilidade em altas velocidades, mas prejudicial em termos de agilidade. Para compensar essas mudanças, tornar as bikes mais ágeis, facilitar a transferência de potência dos pedais à roda traseira e ainda proporcionar um desempenho ideal nas mais diversas condições, a tendência é diminuir o comprimento dos chain stays, tarefa tremendamente facilitada pela disseminação das transmissões de coroa única e eixos traseiros mais largos com o padrão Boost 148 (saiba mais em http://www.29er.com.br/2015/10/p29br-29er-doc-tudo-que-voce-queria.html), que por sua vez permitiram o uso de pneus mais largos montados em rodas ainda mais rígidas.

Para completar o pacote, um bom projeto contemplaria também um centro de gravidade mais baixo. Apenas para ilustrar, o supercampeão Nino Schurter decidiu migrar para as 29ers a partir do momento que a Scott conseguiu deixar sua Scale 900 tão "baixa" quanto a versão 700, avanços no processo produtivo dos seus quadros em carbono permitiram a construção de uma bike com um tubo de direção curtíssimo.
Resumindo, o top tube cresceu, a mesa e os chain stays encurtaram consideravelmente e os garfos agora trabalham um pouco mais relaxados. Quando pensar na sua próxima bike, o ideal seria buscar um modelo que de preferência agregasse todas essas características.


Antes de terminar, um alerta e uma pequena história. Em muitos dos quadros e bicicletas mais econômicos (e outros nem tanto) vendidos no mercado brasileiro, a preocupação com a geometria simplesmente inexiste. Na grande maioria das vezes além de não divulgarem as medidas e ângulos dos seus quadros, esses fabricantes cometem deslizes dimensionais graves, principalmente em bikes de tamanho maior, que parecem mais adaptações de antigas mountain bikes feitas para rodas de 26 polegadas e, na minha opinião, carregam mais de uma década de atraso técnico. Mesmo algumas marcas tradicionais e outras até novas, seguem de olhos fechados para toda essa evolução geométrica. Sem falar em números e apenas para citar um exemplo real, há pouco tempo um amigo apareceu todo contente com sua primeira 29er de uma marca mais barata, supostamente ele adquiriu um quadro de tamanho grande. O top tube e o reach dessa bicicleta eram menores que os de equivalentes de tamanho médio de alguns dos fabricantes mais atualizados. Ele, com seus 1.85m, seguramente está tendo uma experiência muito menos gratificante pedalando essa bike. Não existe um bike fit mágico que capaz de resolver problemas dessa ordem, portanto pesquise antes de comprar, visite lojas sérias, meça, compare e consulte um especialista se necessário.

Vai comprar uma bike nova? Quer a melhor experiência possível? Analise a geometria dos modelos que tem em vista e, se precisar, pergunte ao P29BR.

Keep 29eriding!

segunda-feira, 24 de junho de 2013

P29BR 29ER TIPS / Caixa de direção inferior Cane Creek EC 44

Montando um garfo tapered numa 29er com head tube tradicional de 1 1/8".


Uma forte tendência entre os principais fabricantes de bicicletas, o head tube do tipo tapered, conhecido por aqui também como tubo de direção conificado, ganhou força no cenário internacional durante os últimos anos. Agora, presença constante em muitos dos novos modelos à venda no mercado brasileiro, é um padrão que se consolida apoiado pelas consideráveis vantagens que oferece.

terça-feira, 17 de maio de 2011

P29BR 29ER DISPLAY / Saga Randonneur 29

Essa você não vai encontrar na loja.

Pouco antes de nos deixar, meu amigo Fabio presenteou o P29BR com um quadro Limone. Nunca me adaptei a bicicletas de Speed, por isso, desde o princípio minha idéia era a de transformar a minha nova Saga em uma bike de asfalto, com potencial para eventualmente encarar algumas estradas de terra batida. Uma bike mais confortável para treinamento de longa distância em estrada, cicloviagens e até mesmo transporte. Partindo dessa premissa, passei para a fase de escolha dos componentes.


segunda-feira, 3 de maio de 2010

P29BR 29ER SHORT TEST / Saga Tomato 29 + RST + CST

Um Tomato recheado...de novidades.

O P29BR recebeu do framebuilder Fabio Yoshimoto um exemplar da Saga Tomato 29 montado com grupo Shimano Deore 2010 acompanhado de duas grandes novidades para o biker brasileiro interessado em aro 29": a suspensão RST M-29 RL e os pneus CST Critter 29x2.1. Em relação à bicicleta da Saga não preciso nem me alongar, independentemente da montagem, continua a mesma 29er de sempre, confortável e ágil. O destaque especial fica para os dois novos itens que fizeram bonito nas trilhas e prometem repetir o sucesso entre aqueles que necessitam de componentes eficientes a um custo acessível.


Foi com satisfação que recebi o modelo 2010 da RST M-29. Já havia experimentado em 2008 outra versão dessa suspensão, na ocasião fiquei bastante impressionado com seu desempenho, entretanto o produto praticamente sumiu das prateleiras americanas no ano passado, agora o M-29 voltou. O garfo da RST para cross-country, exclusivo para rodas de 29 polegadas, conta com 80 mm de curso e robustas canelas de 32mm de diâmetro. 180mm é o máximo diâmetro permitido para o rotor de freio. A pré-carga de ar pode ser regulada a partir do topo da canela esquerda, usei 90 psi para suportar os meus 75 Kg, calibragem suficiente para garantir uma curva de funcionamento progressiva e permitir a utilização do curso em sua totalidade. Estão disponíveis ainda ajustes de retorno e compressão. O M-29 já apresenta um offset específico para as 29ers, 44 mm.


Pessoalmente, não escondo de ninguém o fato de que prefiro componentes do tipo "regule e esqueça". Me agradam as suspensões com sistemas de plataforma estável que permitem setar um nível de sensibilidade, não desperdiçar energia nas subidas e ainda assim funcionam com propriedade nas descidas. Ao contrário, a operação do modelo da RST difere bastante desse preceito, é muito dependente da trava de guidão SRL, entretanto é aí que está o diferencial do M-29 RL.

A trava Smart Remote Lockout (SLR) é talvez a melhor do mercado. Apresenta um design muito bonito, uma pegada ergonômica e pode ser montada com total liberdade em qualquer um dos lados do guidão, inclusive com a alavanca montada para baixo ou até mesmo na horizontal, fica ao gosto do bike-freguês. A suspensão RST dispõe ainda de um eficiente circuito de blow-off, que apesar de não possuir a sensibilidade ajustável, quando travado permite algum movimento no garfo em caso do piloto se deparar inesperadamente com alguma irregularidade, evitando danos às partes internas do equipamento...e aos braços do biker.


No geral, considero a RST M-29 RL superior aos principais produtos de linha intermediária de outras marcas mais famosas. Trata-se de um garfo definitivamente pensado e bem projetado para as 29ers, pesa em torno de 2Kg e tem um preço sugerido ao consumidor na casa de R$ 1.200,00.


Acompanhando a RST M-29 na Saga Tomato 29, estão os pneus CST Critter 29x2.1, outra grata surpresa. A CST faz parte do mesmo grupo que detém a marca Maxxis. De acordo com a própria fábrica, os produtos CST possuem a mesma qualidade encontrada nos Maxxis, entretanto em foco está a durabilidade, antes da preocupação com o peso como ocorre com a linha da irmã mais famosa. A filosofia da CST prega que o entusiasta não necessita necessariamente empenhar mais dinheiro em pneus de competição se pode contar com um produto confiável que se comporta na terra igual ou quase que tão bem quanto um modelo custando mais que o dobro do seu preço.


O Critter possue três linhas distintas de cravos, os laterais são proeminentes e garantem segurança em curvas, já os centrais espaçados se comportam bem nos terrenos com pedras soltas, não oferecendo resistência exagerada à rolagem. O resultado é um pneu "honesto", que se comporta bem em variados tipos de terrenos, superando inclusive alguns modelos mais caros. Na produção dessa categoria de pneus as tolerâncias são maiores, os dois exemplares testados apresentam pesos distintos, 750 e 780 gramas. De acordo com o site do fabricante, 700 gramas.


Se fosse possível realizar um teste cego de pneus, estou certo que os CST seriam a escolha de muitos proprietários de 29ers. O preço de venda do CST Critter 29x2.1 gira em torno de incríveis 65 Reais.


Durante o período em que a Saga Tomato esteve por aqui, a bike foi testada com sucesso em competição pelo piloto Fabio Mazotti. Correndo sob as cores da Sport Bike SR e do P29BR, Fabio subiu ao pódio no Desafio de Mountain Bike na cidade paulista de Capão Bonito e se disse muito impressionado com o desempenho da Tomato numa prova de alta velocidade média como essa.


Keep 29eriding!
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