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terça-feira, 18 de novembro de 2008

A Redenção das Hardtails

O desenvolvimento das mountain bikes full-suspension, a partir de meados da década de 90, operou uma mudança considerável de mentalidade do consumidor de bikes comum americano. Segundo a conceituada pesquisa anual da revista Mountain Bike Action diminuiu exponencialmente ano a ano o número de interessados em adquirir uma hardtail. No último levantamento, menos de 15% dos leitores que responderam a pesquisa teriam interesse em adquirir uma rabo-duro.

Entretanto as 29ers chegaram e vieram definitivamente para mudar essa linha de pensamento. A consolidação das “Rodas Grandes” está trazendo de volta o interesse pelas hardtails. Simplesmente porque as principais qualidades das aro 29 se aliaram ao menor peso e simplicidade das hardtails, e se refletiram em bikes muito competitivas em se tratando de custo/peso/benefício.

Se você nunca pedalou uma 29er, pode imaginar que nós, os “convertidos” ao formato, exageramos nas qualidades e disfarçamos as falhas, mas a realidade é que as rodas grandes REALMENTE diminuem o desconforto das hardtails em solo mais acidentado, chegando a ponto de rivalizar com as full-suspensions de até 4 polegadas de curso. Experimente, eu garanto!

Outro ponto superfavorável às hardtails é o peso reduzido em relação às fulls, Gary Fisher conseguiu construir o mais leve quadro de toda sua linha para a Superfly 29 (mais informações no post anterior intitulado “A Fisher Superfly do Sam Schultz”).

Não escondo que sou fã das Felt, pois bem, para 2009 o Andy Felt criou uma versão em carbono para a “minha” Nine Pro. Uma evolução que se mostrou simplesmente sensacional.

Marcas de menor expressão, mas de ótima qualidade, perceberam o potencial das “Rodas Grandes” antes de muitas das empresas top do setor. Entre essas está a Raleigh, muito respeitada entre os 29ermaníacos americanos. O modelo XXIX apresenta um custo acessível mesmo mantendo um nível de performance alto.

Quando se fala de 29er, não se pode deixar de lado aquela que, para mim, foi a companhia responsável pela “faísca” que reacendeu a decisiva evolução do formato nos últimos três anos, a Niner Bikes. A empresa de Chris Sugai e Steve Domahidy conta com 5 maravilhosos modelos de hardtails no catálogo, mas já deu um passo à frente das demais. Além de possuir 2 modelos de 29ers full-suspension, o Jet 9 e o R.I.P. 9 que hoje já são um clássico entre os aficionados, a Niner partiu para o nicho de trailbikes e para 2009 desenvolveu, depois de extensa pesquisa e testes, o modelo W.F.O. (Wide Full Open) com 5,5 polegadas de curso e aros 29, mas isso será assunto de um futuro post.

Fechando o assunto das hardtails, não poderia deixar de mencionar a iniciativa da “nossa” Caloi, que para 2009 apresenta o modelo Two Niner, O buzz é grande, vem gerando muitos questionamentos por parte dos leitores deste blog e das pessoas que encontro em provas e trilhas. Todos querem conhecer melhor o novo modelo da Caloi, que pode, quem sabe, vir a se tornar um best-seller entre os bikers brasileiros ávidos em aderir ao formato 29.

Por falar em Caloi, estou entrando em contato com eles e possivelmente em breve estaremos recebendo uma Two Niner para testes aqui no P29BR. Fique ligado!!!

Keep 29eriding

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Quando uma 29er pode não ser uma 29er!



Foi noticiado com destaque que a americana Katie Compton foi a primeira ciclista profissional (entre homens e mulheres) a vencer um campeonato nacional pilotando uma 29er, ela foi a campeã americana de MTB Short Track neste ano.




Ótima notícia para os amantes das Rodas Grandes, entretanto alguns dos mais fanáticos pelo nosso formato estão contestando essa notícia, pois a Katie é uma corredora especializada em Cyclocross e a bike dela, apesar de usar um quadro que aceita rodas de 29 polegadas, usa rodas de carbono e pneus 700x45 da marca Dugast. Fato que se levado ao pé-da-letra acaba por transformar as rodas dela em uma 27.9, em virtude do diâmetro reduzido dos pneus inflados (710 mm).




Uma curiosidade sobre a Katie é que ela disputa as Paraolimpíadas numa tandem guiando outra ciclista com deficiência visual. Tá aí uma biker politicamente correta!




Keep 29eriding


segunda-feira, 10 de novembro de 2008

A dúvida, qual tipo de pneu usar? O aro 29 e suas múltiplas possibilidades.

Neste final de semana participei pela segunda vez de uma prova com a minha 29er. Numa corrida de formato maratona sem singletracks ou subidas absurdas, a 29 pôde mostrar o seu valor, chegando ao ponto de "engolir" as 26 nos terrenos mais rápidos. Para se ter uma idéia, num trecho longo em descida com uma pequena inclinação, depois de embalar a 29er passava pelos outros pilotos sem eu ter sequer que pedalar, usando apenas a inércia enquanto os demais se esgotavam nos pedais.



Entretanto, mais uma vez ressurgiu a dúvida dos pneus. Nas provas tipo maratona, vale mais a pena usar pneus largos (como os 2.25 disponíveis), mais finos (1.85, mas ainda específicos para mountain bikes) ou os pneus de cyclocross (700x35, por exemplo).

Um estudo científico (que vou traduzir e publicar aqui no blog) realizado a pedido da marca alemã Schwalbe, demonstrou que para situações off-road os pneus mais largos se usados com baixa pressão (tubeless necessariamente) teriam um rendimento de rolagem melhor que, por exemplo, um pneu mais estreito que pede pressões mais altas. O estudo concluiu que os pneus largos e com menor calibragem se adaptam melhor às irregularidades do terreno e, por isso, desperdiçam uma quantidade menor de energia.

Tenho amigos nos EUA que realizaram alguns testes práticos em um circuito de XC usando os Bontragers 1.85, Kendas 2.0 e WTB 2.3. Apesar de facilitar a pedalada em alguns trechos, os pneus mais estreitos realmente não se mostraram mais eficientes e os melhores tempos foram conseguidos com os pneus mais largos.



Então pode-se concluir que as bikes de aro 29 nasceram para usar pneus mais largos e fim de papo? Definitivamente, não. Aí entra a história da corrida de ontem. Para minha alegria, encontrei mais um "believer" da rodas grandes, o Zé, da loja Zé Bike de Sorocaba. A KHS do Zé está equipada com um Kenda Karma na dianteira e um pneu 700C de bikes híbridas na traseira. Em uma prova de maior distância, realizada preferencialmente em estradas de terra batida, os pneus ultrafinos na traseira podem representar vantagem no conjunto da ópera. Pudemos comprovar essa teoria à medida que a prova se desenvolvia, nas subidas mais longas o Zé pedalava sentado, rendia muito bem e abria vantagem, entretanto quando o terreno mudava e ficava mais plano, eu com meus pneus largos ganhava espaço e passava à frente. Minha velocidade máxima nessa prova foi de 71 Km/h, o que levando-se em conta as inclinações, é um valor bastante expressivo.



No final o Zé chegou pouco mais de um minuto na minha frente e, pelo menos nessa prova, acho que ele fez a escolha certa.


Estou estudando os pneus de cyclocross que são leves (na casa dos 350g) e ainda apresentam um desenho agressivo para se comportar de maneira eficiente nas mais diversas condições (asfalto, terra e barro) enfrentadas pelos adeptos da modalidade muito difundida no hemisfério norte.



Em breve estarei importando um modelo para experimentar no aro 29. Manterei vocês, leitores, informados.

Keep 29eriding

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O bom e velho debate: 29er x 26er

Segue link para um vídeo divertido que debate de maneira bem humorada as diferenças entre os formatos concorrentes:


Keep 29eriding

A aventura (e a curtição) de se montar uma mountain bike aro 29 - Parte III


O teste

Apesar de toda a pesquisa prévia e do extremo cuidado no planejamento da montagem do conjunto, o desempenho da Felt Nine Pro era na realidade ainda uma incógnita, fato que, aliado ao preceito de que as Rodas Grandes poderiam apresentar respostas mais lentas em trilha, contribuiu para a escolha de um quadro de tamanho um pouco menor que o habitual. É certo que a menor distância entre os eixos se refletiu de maneira direta na surpreendente maneabilidade da bike mesmo nos trechos mais estreitos ou curvas difíceis.

Uma imagem comum nas bikes de aro 29 é tubo superior bastante inclinado (sloping), o que conseqüentemente pede o uso de canotes maiores, no caso um de 400mm. Tal configuração favorece o montar e desmontar do ciclista num quadro construído com o movimento central 65mm abaixo do eixo das rodas. Somados os pontos, o resultado é uma bike com centro de gravidade muito baixo e grande estabilidade.



Rodando em terrenos planos

É fato que as 29 aceleram com mais dificuldade que as 26, pedindo maior esforço inicial por parte do ciclista, entretanto depois de aceleradas as Rodas Grandes mantém mais facilmente o momento, assim o ciclista passa um tempo maior pedalando na coroa do meio, resultando em um ritmo mais forte e constante, beneficiando os bikers bem preparados.


Subindo diferente

As rodas de maior diâmetro tornam a pedalada mais pesada em se comparando a uma bike aro 26 com a mesma relação coroa/cassete instalada, entretanto nas aro 29 o biker fica mais bem posicionado e com o peso corretamente centrado, mais uma vez em função da diferença de altura entre os eixos das rodas e o movimento central. A maior área de contato dos pneus com o solo se traduz num aumento da tração.

Entretanto em se tratando de subidas mais íngremes nem tudo são flores, neste caso a pedalada mais pesada requer mais explosão do ciclista. Nos trechos de aclives mais longos o gasto energético pode ser maior. Esse comportamento não pode ser considerado um defeito do formato, ele pede apenas uma adaptação mais cuidadosa por parte do biker. Já existe também no mercado internacional uma coroa pequena de apenas 20 dentes, perfeita para o uso com as aro 29. O emprego dessa coroa de menor tamanho alçaria o desempenho em subidas a um patamar similar ao das aro 26.

Fazendo curvas

O conceito inicial de que rodas de maior diâmetro dificultam as mudanças de direção deixando o guidão mais pesado, pode ser minimizado em se tratando de uma aro 29 bem concebida como a Felt, cujo desempenho em curvas chega a ser surpreendente. O fato da bike possuir um ângulo de caixa de direção de 72.5 graus, ligeiramente mais elevado que o padrão para bikes de cross-country aro 26, por si só já afasta um dos principais temores dos donos das bicicletas 29, a lentidão das respostas nas curvas. Ainda neste quesito, a escolha do guidão também é um ponto importante, por isso a opção recaiu sobre um Salsa modelo Pro Moto. O guidão é do tipo flat (reto), uma vez que a caixa de direção nas bikes de aro 29 costuma ser mais alta em relação ao selim em comparação com as de aro 26, o que inviabiliza o uso de guidões do tipo riser (com inclinação). A curvatura mais elevada e menos usual do Salsa Pro Moto é outro fator de conforto, são 11 graus que favorecem uma pegada mais natural do ciclista e facilitam a execução das curvas mais difíceis.

Somente para citar um exemplo, no teste usamos uma bike aro 26 para fazer uma curva especialmente fechada e estreita em subida, o chamado “switchback”. Não foi nada fácil zerar esse trecho da trilha nessa bicicleta, o que ocorreu apenas depois de algumas tentativas frustradas. Experimentando o mesmo trecho com a Roda Grande foi possível fazer a curva de primeira. É o aro 29 mostrando seu valor!

Segurança freando

Mais um ponto onde as 29 superam as 26. A Roda Grande freia melhor, permitindo uma condução mais segura e ao mesmo tempo mais arrojada. É extremamente difícil travar os Avid Juicy instalados na bike.

Descendo com inspiração

Onde as bikes de aro 29 realmente brilham e superam as aro 26 com folga é nas descidas e trechos mais acidentados com obstáculos naturais. Nessas situações o desempenho de um bom quadro rígido com pneus de 29 polegadas se equivale em conforto ao de uma bike aro 26 de suspensão integral para cross-country competitivo (com até 3 polegadas de curso). O fato de se usar pneus mais largos montados sem câmara, maximiza as possibilidades da bike. O pneu Schwalbe dianteiro nas medidas 29x2.40 é o mais largo disponível no mercado das Rodas Grandes, tudo isso pesando pouco e com baixa resistência à rolagem.



Aqui se faz necessário também um destaque ao kit Notubes. Tenho usado desde o ano de 2005 o produto que converte para tubeless (sem câmara) aros e pneus normais. O produto (fita de aro + selante) funciona maravilhosamente bem e permite o uso de calibragens bastante baixas nos pneus, isso tudo com a maior segurança, assim os pneus de 29 polegadas absorvem ainda melhor as irregularidades do terreno com pressões na casa das 25 libras apenas.

Para o biker a bordo de uma bicicleta de aro 29 chega a ser incrível a facilidade com que se pode transpor um tronco, pedras maiores, drops, etc. O ciclista se vê continuamente incentivado a encarar novos desafios. É o mountain biking traduzido à pura diversão!



Uma nova forma de pedalar e curtir

O nível de desenvolvimento recente das bicicletas de aro 29 permite ao mountain biker enxergar o esporte sob uma nova, e prazerosa, ótica. Não se sabe ao certo se as previsões dos otimistas vão se confirmar e as Rodas Grandes serão a maioria no futuro do nosso esporte, mas com segurança já se pode contradizer os céticos, uma vez que o formato 29 veio para ficar, evolui a passos largos e se tornou uma grande opção para nós, bikers. Fica a esperança que brevemente mais e mais brasileiros possam ter acesso às aro 29 e a todo o divertimento que elas podem proporcionar.

Keep 29eriding
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