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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

P29BR 29ER DREAM CARBON FRAMES / Niner Air 9 Carbon X Scott Scale 29

Descubra exatamente o que você leva para casa quando adquire um produto top de linha.


Seguramente a principal tendência para 2011 em se tratando de 29ers é o emprego da fibra de carbono como matéria prima para a produção de quadros. O P29BR apresenta agora com exclusividade no Brasil um par de produtos muito especiais, criados pelas mãos e mentes por trás de dois dos principais nomes do mercado de mountain bikes de roda grande, Niner e Scott. A idéia aqui é a de fazer uma análise "out of the box", ou seja, mostrar os detalhes que por vezes não são encontrados nos catálogos e somente aqueles que adquirirem os produtos terão acesso, pontos que seguramente podem servir como fator de decisão para a compra do seu próximo quadro ou bike aro 29".

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

P29BR 29ER DOC - O Dilema do Tamanho do Quadro

Fonte maior de dúvidas.

Desde o meu primeiro post publicado no P29BR, muita coisa mudou, para melhor, no cenário do mountain biking quando o assunto é o aro 29. O número de interessados em migrar para as rodonas não parou de crescer, exponencialmente, diga-se de passagem. Por consequência, algumas dúvidas em relação ao formato também se tornaram frequentes, contudo grande parte dos revendedores ainda não se preparou satisfatoriamente para oferecer ao consumidor informação suficiente a respeito das 29ers . Abro então mais uma vez este espaço para responder a uma dessas questões cruciais e assim ajudar a garantir a melhor experiência possível aos novos adeptos das rodas grandes.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

P29BR 29ER COMPARATIVE / 29 X 27.5 X 26


Lado a lado os três principais desafiantes.


















Em minha coluna publicada na última edição da Revista Bike Action, falei um pouco sobre o formato "intermediário" conhecido como 650B. A foto publicada na revista está muito pequena e não representa a real proporção de diferença entre os três diâmetros, sendo assim, aproveito para reproduzir aqui texto e fotos.

Com a clara consolidação do formato 29er nos últimos anos e a consequente disseminação das bicicletas equipadas com rodas grandes mundo off-road afora, você, mountain biker e leitor do P29BR, já deve ter acompanhado acaloradas discussões daqueles que defendem a supremacia do aro 29 sobre o 26 e vice-versa. Pois bem, pelo menos em terras americanas, os dois oponentes mais famosos ganharam nesses embates a companhia de um novo desafiante, um formato de diâmetro intermediário conhecido como 650B.

Novo em termos de Mountain Biking, mas nem tanto em se tratando do universo das duas rodas, o aro 650B já era usado há algum tempo na Europa em bicicletas híbridas e de uso urbano. Foi então que pelas mãos do americano Kirk Pacenti, um framebuilder independente de grande experiência, que já trabalhou entre outros com o mestre Keith Bontrager, que o formato aportou nos Estados Unidos e ganhou holofotes na edição de 2007 da NHABS, North American Handmade Bicycle Show.

O diâmetro externo de um pneu de MTB perfil 2.0 polegadas montado em um aro 650B resulta numa medida em torno de 27.5 polegadas, número adotado para também nomear o formato. Coincidência ou não, as 27.5 estão exatamente no meio do caminho entre as rodas de 29 e as de 26 polegadas. Por falar em pneus, os primeiros exemplares 27.5 eram na realidade pneus WTB 26 polegadas adaptados pelo próprio Pacenti. Por “adaptados” entenda-se “com a lateral aparada à mão” para que pudessem servir nos aros maiores. Posteriormente, Kirk bancou junto à Panaracer a produção do primeiro pneu específico 650B para uma mountain bike, o Pacenti Neo-Moto 27.5x2.3”. Hoje, três anos depois, são encontrados ainda exemplares das marcas Kenda, WTB e Schwalbe.

A idéia principal do 650B, segundo seu maior incentivador, seria a de contar com o melhor de dois mundos, ou seja, se aproveitar da rolagem superior de uma roda de maior diâmetro, sem a necessidade de grandes adaptações na geometria das bikes e equipamentos criados para o aro 26. Pacenti, por exemplo, salienta que alguns modelos de suspensões fabricadas originalmente para o aro 26, permitem sem qualquer adaptação a montagem de rodas 27.5. Apesar desse discurso otimista em relação ao formato 650B, não se pode esquecer que no caso das 29ers a maturidade custou vários anos de desenvolvimento até se produzirem máquinas eficientes como as que estão hoje no mercado.

Tecnicamente, a vantagem das rodonas em geral sobre o consolidado padrão de 26 polegadas é evidente em se considerando apenas a maior facilidade em transpor obstáculos. Com essa constatação em mente, num primeiro momento alguns desavisados poderiam supor que, desde que quadro e garfo ofereçam espaço suficiente, vestir uma aro 26 com rodas de 27.5 polegadas resultaria numa instantânea melhora no desempenho do conjunto, entretanto nada é mais equivocado, já que existe muito mais ciência por trás dos grandes formatos. Um motivo fundamental para o sucesso das rodas grandes no mountain biking reside na benéfica diferença de altura entre o eixo das rodas e a concha do movimento central. Apesar da altura do central em relação ao solo ser similar em se tratando de bikes aro 26, 27.5 ou 29, nos formatos maiores, o movimento central pode estar até 60cm abaixo do eixo das rodas, o que lhes confere estabilidade extra e um desempenho incrível em curvas, visto que nesses casos grande parte do peso do piloto estaria concentrado abaixo do eixo das rodas. O número conhecido como “bottom bracket drop”, usado para quantificar a relação eixo X central, chega a ser pelo menos 5 vezes menor numa bike aro 26.

Como especialista em 29ers, mesmo depois de toda informação que já havia pesquisado e todos os comparativos lidos a respeito do tema, era imperativo por à prova as rodas “médias”, ainda que o formato 27.5 parecesse um pouco distante da realidade brasileira. Numa conversa com meu amigo José Luiz Bovo, lojista na cidade de Sorocaba e outro fanático por 29ers, para minha surpresa, tomei conhecimento que os aros usados nas bicicletas Caloi Barraforte tem a medida 26 1.½, ou seja, 26+1+0.5=27.5! Isso mesmo, os aros originais de uma bike bastante conhecida e presente no cotidiano de muitos brasileiros, servem perfeitamente para o propósito de montar uma roda 650B. A VZAN, que já dispunha do produto em sua linha, gentilmente cedeu um exemplar do modelo Escape 250. Pelas mão de Fernando “Grandão” Souza, mecânico oficial do P29BR e da Anderson Bicicletas, nasceu a primeira roda 27.5” do mountain biking nacional. Faltava apenas o pneu, não restando outra opção que não a de importar um, o escolhido foi o famoso Kenda Nevegal na medida 27.5x2.1.

O formato 27.5 está para o Mountain Biking nos dias de hoje assim como as 29ers estavam longínquos oito anos atrás, ou seja, a oferta de quadros e componentes é limitada, mesmo em terras norte-americanas. Até o momento, apenas duas das grandes marcas se interessaram em produzir modelos com rodas 650B, a Haro desde o ano de 2009 com a linha Beasley e mais recentemente a KHS com a SixFifty606. A grande maioria das opções está ainda concentrada em marcas menores, pouco acessíveis ao consumidor brasileiro. Pela falta absoluta de modelos específicos em nosso país, precisei que buscar uma alternativa para conduzir as provas, tendo que lançar mão da bike de testes do P29BR, uma 29er pura. A idéia foi a de substituir a roda traseira por uma 27.5 sem abrir mão da dianteira 29, experimentando então na prática as particularidades e reações que o formato 650B teria a oferecer, mesmo que dentro de algumas limitações. Uma das preocupações era a de garantir que os efeitos dessa troca modificassem o menos possível a geometria da Niner SIR9 para que a bike continuasse de efetivamente pedalável em todas as situações. O ângulo da caixa de direção que já era elevado, uma marca registrada da Niner, baixou 1 grau, de 72 para 71; já a altura do central em relação ao solo diminuiu apenas 5mm, passando de 293 para 288mm. Um detalhe importante a ser lembrado diz respeito às câmaras de 26” que servem tranquilamente em uma roda 27.5”, além disso, apesar de já ter ouvido o contrário, pude comprovar que as câmaras de 29” também funcionam bem com as rodas de formato intermediário. Como costumo repetir sempre, as 29ers pedem alguma adaptação por parte do piloto até que se possa tirar o máximo proveito das características distintas da bike. Valendo-me do fato de conhecer profundamente as respostas da Niner pude mais facilmente perceber o que de fato havia mudado com escolha da nova roda traseira.



Nas subidas a bordo de uma 29er pura, como resultado do maior diâmetro das rodas, o piloto sente de maneira clara os efeitos da relação 10% mais pesada. Passando aos testes práticos com o aro 27.5, a sensação de pedalada mais pesada desapareceu, o esforço para movimentar a bike pode-se dizer idêntico ao experimentado nas mountain bikes aro 26, por outro lado, o fato dos já curtos chain stays da Niner não estarem preparados para as rodas de diâmetro intermediário, dificultou o ato pedalar em pé nas subidas, exigindo mais movimentação no cockpit por parte do piloto no sentido deslocar peso para roda traseira. Em curvas, como era de se esperar, a bike continuou “colada” ao solo e muito eficiente, talvez com um pequeno ganho nos switchbacks, aquelas mudanças de direção mais agudas no meio de um singletrack. Nas descidas as 29ers são insuperáveis, por isso a roda 650B não representou qualquer ganho, para finalizar, nem mesmo em aceleração nos trechos planos houve uma melhora a ser considerada. No geral o desempenho da roda 27.5 se mostrou satisfatório, sem no entanto suplantar o aro 29 numa avaliação mais abrangente.

Se meus experimentos tivessem sido conduzidos em uma mountain bike especificamente projetada para o aro 650B, encontraria talvez mais virtudes no formato, ainda assim a meu ver as rodas 27.5 não passam de uma resposta à popularidade das 29ers, uma reação tardia vinda daqueles ainda resistentes à revolução causada pela rodas grandes. O fato é que a sobrevida de novos produtos e conceitos depende fortemente de uma aceitação irrestrita por parte do mercado americano, que nesse caso em especial está esfriando. A Haro suspendeu a produção dos modelos 650B para 2011, enquanto a maioria absoluta das outras grandes marcas decidiu apostar todas as fichas no aro 29. Você, ainda proprietário de uma aro 26, pode, quem sabe, experimentar uma roda 27.5 na dianteira enquanto se prepara adquirir sua próxima bike, certamente uma 29er!

Keep 29eriding!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

P29BR 29ER POSSIBILITIES - E se eu montar pneus de Cyclocross na minha 29er?

Poucos pros, alguns contras.


Uma das perguntas que via de regra se repetem e recebo com maior frequência, diz respeito ao uso de pneus mais estreitos nas 29ers. Antes de continuar, um aparte: as bikes aro 29" são assim classificadas pelo fato do diâmetro externo de um pneu de MTB perfil 2.0 polegadas montado em um aro com a mesma circunferência dos 700C de estrada resultar numa medida próxima a 740mm, que se convertidos, são as ditas 29 polegadas. Pois bem, se eu escolher montar pneus mais finos e baixos na minha 29er, posso teoricamente estar transformando a bike numa aro 28 ou até 27, figurativamente falando. Estaria abdicando do amortecimento superior dos pneus de grande volume e da alta rolagem das rodas nas 29ers puras em favor de pneus pouco mais leves, mas muito mais limitados.


Para emitir uma opinião realmente embasada sobre o tema, seria necessário trocar a teoria pela prática. Meu amigo Laurent, outro apaixonado pelas 29ers, ofereceu um par de pneus Schwalbe Racing Ralph 700x35C para a Niner de testes do P29BR. Os RRs específicos para encarar as durezas do Cyclocross possuem os cravos dispostos de maneira completamente distinta à versão para mountain bikes. Perfil baixo, cravos triangulares na zona central e baixo peso (meus exemplares pesaram 320 e 340 gramas), fazem do produto da Schwalbe uma boa opção para aqueles que enfrentam longos trechos mistos de asfalto e terra e não tem a preocupação de andar no limite e tirar tudo que a bike de rodas grandes poderia dar.


Para experimentar esses pneus com medida equivalente a um 700x1.38", programei de primeira uma pedalada passando por terrenos bem variados, começando por um longo trecho de asfalto, seguido por terra batida, um singletrack para variar e dificultar, mais mistura de asfalto e terra no final. No trecho urbano logicamente que a rolagem ficou facilitada pelo uso do Racing Ralph de perfil mais fino, entretanto sentia no selim cada um dos cravos tocando o chão, um comportamento até certo ponto comum quando se pedala no asfalto com pneus de cravos proeminentes. Chegou então a primeira estrada de terra, para minha surpresa os Schwalbes se saíram muito bem acelerando rápida e decisivamente. À medida que o terreno ficava mais irregular, a menor capacidade de absorção dos pneus de Cyclocross podia ser traduzida em uma dose menor de conforto em relação à 29er "padrão", deixando evidente uma maior perda de energia, o que tornava mais difícil a tarefa de aproveitar o momento, como invariável e frequentemente estaria fazendo a bordo de outra 29er equipada com pneus de MTB. Nos singletracks mais técnicos, recheados de troncos e obstáculos os pneus de Cyclocross mostraram a maior dose de ineficiência, não me permitindo pedalar em trechos que já havia zerado antes e tornando a bike instável, dificil mesmo de controlar em certos momentos. Experimentei os pneus tanto com câmaras, quanto convertidos para tubeless. O perfil baixo e estreito dos RRs inviabiliza o uso de pressões mais baixas como costumo adotar no dia-a-dia, o que inclusive deixaria os aros mais expostos a danos. A pressão mínima recomendada pela fábrica está na casa de 50 psi.


Você, blog-leitor, deve estar pensando então que a experiência foi péssima, mas afirmo que nem tanto. Procurei a todo instante tirar proveito das lições impostas pelas limitações do equipamento. Com esse tipo de atitude em mente, você pode cogitar usar pneus de Cyclocross em alguns de seus treinamentos, o fato de ter que escolher melhor as linhas pode colaborar para aprimorar seu domínio sobre a 29er. Também numa cicloviagem, como por exemplo o Caminho da Fé, esse tipo de pneu seria bem-vindo, uma vez que existem vários trechos de asfalto e nos de terra o biker-peregrino com alforges na bicicleta não precisaria exagerar nas curvas, downhills, etc. Apesar de tudo, minha opinião se mantém imutável, 29er só é 29er com pneu específico para MTB.

Keep 29eriding!
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