Poucos pros, alguns contras.
Uma das perguntas que via de regra se repetem e recebo com maior frequência, diz respeito ao uso de pneus mais estreitos nas 29ers. Antes de continuar, um aparte: as bikes aro 29" são assim classificadas pelo fato do diâmetro externo de um pneu de MTB perfil 2.0 polegadas montado em um aro com a mesma circunferência dos 700C de estrada resultar numa medida próxima a 740mm, que se convertidos, são as ditas 29 polegadas. Pois bem, se eu escolher montar pneus mais finos e baixos na minha 29er, posso teoricamente estar transformando a bike numa aro 28 ou até 27, figurativamente falando. Estaria abdicando do amortecimento superior dos pneus de grande volume e da alta rolagem das rodas nas 29ers puras em favor de pneus pouco mais leves, mas muito mais limitados.
Para emitir uma opinião realmente embasada sobre o tema, seria necessário trocar a teoria pela prática. Meu amigo Laurent, outro apaixonado pelas 29ers, ofereceu um par de pneus Schwalbe Racing Ralph 700x35C para a Niner de testes do
P29BR. Os RRs específicos para encarar as durezas do Cyclocross possuem os cravos dispostos de maneira completamente distinta à versão para mountain bikes. Perfil baixo, cravos triangulares na zona central e baixo peso (meus exemplares pesaram 320 e 340 gramas), fazem do produto da Schwalbe uma boa opção para aqueles que enfrentam longos trechos mistos de asfalto e terra e não tem a preocupação de andar no limite e tirar tudo que a bike de rodas grandes poderia dar.

Para experimentar esses pneus com medida equivalente a um 700x1.38", programei de primeira uma pedalada passando por terrenos bem variados, começando por um longo trecho de asfalto, seguido por terra batida, um singletrack para variar e dificultar, mais mistura de asfalto e terra no final. No trecho urbano logicamente que a rolagem ficou facilitada pelo uso do Racing Ralph de perfil mais fino, entretanto sentia no selim cada um dos cravos tocando o chão, um comportamento até certo ponto comum quando se pedala no asfalto com pneus de cravos proeminentes. Chegou então a primeira estrada de terra, para minha surpresa os Schwalbes se saíram muito bem acelerando rápida e decisivamente. À medida que o terreno ficava mais irregular, a menor capacidade de absorção dos pneus de Cyclocross podia ser traduzida em uma dose menor de conforto em relação à 29er "padrão", deixando evidente uma maior perda de energia, o que tornava mais difícil a tarefa de aproveitar o momento, como invariável e frequentemente estaria fazendo a bordo de outra 29er equipada com pneus de MTB. Nos singletracks mais técnicos, recheados de troncos e obstáculos os pneus de Cyclocross mostraram a maior dose de ineficiência, não me permitindo pedalar em trechos que já havia zerado antes e tornando a bike instável, dificil mesmo de controlar em certos momentos. Experimentei os pneus tanto com câmaras, quanto convertidos para tubeless. O perfil baixo e estreito dos RRs inviabiliza o uso de pressões mais baixas como costumo adotar no dia-a-dia, o que inclusive deixaria os aros mais expostos a danos. A pressão mínima recomendada pela fábrica está na casa de 50 psi.

Você, blog-leitor, deve estar pensando então que a experiência foi péssima, mas afirmo que nem tanto. Procurei a todo instante tirar proveito das lições impostas pelas limitações do equipamento. Com esse tipo de atitude em mente, você pode cogitar usar pneus de Cyclocross em alguns de seus treinamentos, o fato de ter que escolher melhor as linhas pode colaborar para aprimorar seu domínio sobre a 29er. Também numa cicloviagem, como por exemplo o Caminho da Fé, esse tipo de pneu seria bem-vindo, uma vez que existem vários trechos de asfalto e nos de terra o biker-peregrino com alforges na bicicleta não precisaria exagerar nas curvas, downhills, etc. Apesar de tudo, minha opinião se mantém imutável, 29er só é 29er com pneu específico para MTB.
Keep 29eriding!