Potência e modulação para grandes rodas.
Outra daquelas questões frequentes entre aqueles que desejam migrar para uma 29er, diz respeito ao uso de V-Brakes. Num mundo perfeito, esse simples e inteligente sistema de freios funcionaria muito bem, entretanto seu emprego em mountain bikes equipadas com rodas de maior diâmetro é desaconselhado. Um aro ligeiramente desalinhado ou amassado fatalmente resultaria em mau funcionamento do conjunto, sem mencionar nesses casos um comportamento até certo ponto irritante sentido diretamente nos manetes e potencializado pelas rodas grandes. Para completar, em situações de umidade e chuva os V-Brakes perdem bastante em efetividade, por tudo isso, e mais um pouco do que verá abaixo, um conjunto de freios à disco de qualidade é praticamente mandatário para o proprietário de uma 29er interessado em desempenho.

A eficácia do sistema, além de depender das características técnicas do equipamento propriamente dito, está diretamente ligada a várias outras variáveis, como o peso do ciclista, estilo de pilotagem, etc. Um detalhe importante em se tratando de 29ers é que, fisicamente falando, a força requerida para frear a bike com rodonas seria pelo menos 10% maior que aquela necessária para desacelerar uma bicicleta aro 26 polegadas, seguindo essa linha de pensamento, o piloto que migrasse para o aro 29 e transferisse seus freios à disco antigos para a nova bike, teria que colocar mais força nos manetes visando alcançar a mesma potência de frenagem que experimentava com as rodas menores. Sendo assim, algumas fábricas como a própria Scott, preferiram dotar de rotores de maior diâmetro os freios dianteiros de suas 29ers. Pessoalmente, considero essa suposta diferença pouco relevante, algo que pode ser contornado tranquilamente através do uso um conjunto de freios de fato competente, sem a premência de rotores maiores, e consequentemente mais pesados.
O Avid Exilir R é um ótimo exemplo de equipamento “29er friendly”. Segundo Elixir na linha de sucessão da Avid, o modelo R chega ostentando a mesma tecnologia utilizada nos exemplares de linha superior, Elixir CR e XX, dispensando apenas o controle de ajuste de contato das pastilhas. A ausência do Contact Point Adjustment na realidade não influencia negativamente sobre a performance do Elixir R, além de manter o preço do produto numa faixa mais atraente ao consumidor que busca um conjunto de freios moderno, eficiente e leve.

Mesmo com a exigência extra gerada pelas rodas de 29 polegadas o Elixir R surpreende na progressividade e eficácia de frenagem, em grande parte graças à tecnologia proprietária TaperBore, que possibilitou o desenvolvimento de um reservatório de óleo com perfil mais esguio sem perder em potência, tendo como resultado adicional, economia de peso. Totalmente construído em alumínio, são 375 gramas com rotor de 160mm. Por coindidência, ou não, a Shimano resolveu trilhar um caminho parecido e dotou os freios da linha XTR 2011 também de reservatórios mais compactos nos manetes.
Os manetes do Elixir R são ergonomicamente posicionados para operar da maneira mais natural aos dedos de acordo com o que a Avid chama de Power Reserve Geometry, dispõe de controle de altura toll-free, ou seja, podem ser regulados a qualquer momento, para qualquer gosto, tudo sem o uso de ferramentas; além disso, são “ambidestros”, ou seja, podem ser montados dos dois lados do guidão de acordo com o gosto do freguês, ou melhor, do biker. Outra funcionalidade interessante para quem usa trocadores SRAM e prefere um cockpit mais limpo, é a compatibilidade com o MatchMaker, sistema que permite montar freios e trocadores juntos, economizando espaço e mais algumas gramas.
Uma das qualidades sempre aplaudida nos freios da marca é a facilidade de instalação, o sistema conhecido como Tri-Align conta com um jogo de arruelas côncavas e convexas que fazem do posicionamento do caliper uma tarefa das mais simples e rápidas. Depois de montados, mesmo em condições adversas de poeira (e olha que enfrentei muita nesses últimos dias secos) ou umidade, não sofri com vibrações e, principalmente, com ruídos indesejáveis.
Apesar da suposta fama das 29ers parecerem mais difíceis de serem paradas, escolhi para a bike de testes do
P29BR rotores de 160mm na dianteira e 140mm na traseira. Minha opção em nenhum momento se traduziu em um maior esforço (visível) no acionamento dos manetes, continuei utilizando apenas um dedo para obter uma frenagem firme e, principalmente, modulada. Com o rotor menor, raramente experimento travamentos na roda traseira e ainda ganho no controle da bike. Já na dianteira , com um freio potente como o Elixir R, 160mm são mais que suficientes para uma 29er de XC. Mesmo nas descidas longas, nunca experimentei aquela sensação de manetes pulsando resultado da expansão do óleo gerada pelo aquecimento do sistema.
Quanto à manutenção, depois de quase 1.000 Km as pastilhas de composto sintético parecem ter ainda uma boa quantidade de horas pela frente. Em caso de necessidade de troca, o acesso pela parte superior do caliper mostra-se conveniente e facilita a reposição. Uma eventual troca do óleo é um procedimento sem complicações, contanto que seja usado o kit de sangria da própria Avid.
Com uma bastante favorável relação peso/ preço/desempenho, o Elixir R foi o modelo de freio escolhido para integrar o novíssimo grupo SRAM X-7 de 10 velocidades, se configurando também como uma opção das mais interessantes para equipar sua 29er.
Keep 29eriding!